Diamantina – MG: conheça a cidade da Chica da Silva e terra das Vesperatas

Diamantina – MG tem este nome pela grande quantidade de diamantes encontrados em suas terras, tanto é que no século XVIII era o lugar mais se extraia esta pedra preciosa no mundo.

A cidade está distante 270 Km de Belo Horizonte e na direção contrária das outras cidades históricas como Ouro Preto e Mariana.

Sendo assim Diamantina pede uns dias só para ela, assim pode-se conhecer também a bela região, dando uma esticada até Serro e Parque Nacional Biribiri.

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O casario colonial de Diamantina – MG

Leia mais um pouco e descubra porque gosto tanto da região desde criança.

 

Neste artigo você vai ver:

Minha paixão pelas cidades históricas mineiras. Clique Aqui
Diamantina, a cidade que faltava. Clique Aqui
Atrações de Diamantina. Clique Aqui
Vesperata. Clique Aqui
Dicas do Viajante Curioso. Clique Aqui

Minha paixão pelas cidades históricas mineiras

Fui uma criança que gostava de história, e nas poucas oportunidades que tinha de viajar sempre ficava deslumbrado com igrejas e grandes casarões.

Ouro Preto e as cidades históricas foram minha primeira viagem de mochilão. Era feriado de 12 de outubro quando mais dois amigos e eu embarcávamos na rodoviária de Bragança Paulista com sentido à Minas.

Não tomamos um ônibus direto, sendo assim paramos em muitas cidades do interior do estado até chegar em Ouro Preto.

Lembro-me como se fosse hoje do impacto que tive ao chegar na cidade: meus olhos brilharam ao ver a Igreja de São Francisco com suas bonitas torres, formando uma paisagem digna de quadro com as montanhas ao fundo. Olhava para cada porta e janela e pensava como seria a vida ali no passado.

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Ouro Preto é um museu ao ar livre

Entre ladeiras de paralelepípedo, descobri cada canto, cada casarão, cada fonte e cada pedaço daquela cidade que parecia um cenário de filme de época.

Mas confesso que a escolha da data ainda teve outro motivo: a Festa do 12. Para quem não sabe, nesta data Ouro Preto vira uma grande festa, pois se comemora a fundação da Escola de Minas.

Alunos e ex alunos confraternizam pelas mesmas ruas que tanto trazem a lembrança do passado colonial brasileiro.

Bom, eu era mais novo e caí no carnaval fora de época da cidade, mas mesmo com toda a festança acordava cedo para conhecer as atrações da bela cidade.

Esta foi apenas a primeira vez em Ouro Preto, fiz outras viagens mais “tranquilas” para a região, e conheci também Mariana, São João Del Rey, Tiradentes, Congonhas do Campo e Sabará.

Mas faltava uma e eu não sossegava….

Agora chegou a vez de Diamantina, continue lendo.

Diamantina, a cidade que faltava

Apenas corrigindo meu próprio erro, já que existem outras cidades históricas que ainda não conheço como Prados, Bichinho, Caeté, Catas Altas e Santa Bárbara.

Quem sabe meus leitores de Minas me convidam ? Fica a dica!!

Foi então, que num destes feriados de quinta-feira, resolvi ir. O roteiro seria bem apertado, mas como sou um Viajante Curioso não poderia perder a oportunidade.

Tomei um ônibus de Campinas à minha querida Belo Horizonte que dá mais ou menos umas 8 horas, afinal são quase 600 Km. Chegando em Beagá só deu tempo de comer alguma coisa e tomar outro ônibus com destino a Diamantina, mais uns 300 Km percorridos em 5 horas.

O roteiro foi de dois dias em Diamantina e depois voltei para o final de semana em Belo Horizonte. Já conhecia bem a capital mineira, aí aproveitei para ir até Inhotim e conhecer o Instituto de Arte Contemporâneo e Jardim Botânico.

Em Belo Horizonte fui conhecer a imensa Feira da Afonso Pena e fiquei perdido nas barracas porque queria comer tudo. Depois dei uma volta pela Praça da Liberdade e por sorte minha estava acontecendo um show do Marcelo Jeneci no final da tarde.

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Saudades de Belo Horizonte

Foi um final de semana memorável. Pulei a parte dos bares a noite, e queria que meus amigos de Belo Horizonte me explicassem se tem mesmo necessidade de tanto bar bom por aí, me falem!!

Bom, voltando à terra da Chica da Silva.

Quer saber o que conheci por lá ? Continue comigo por aqui.

Atrações de Diamantina

O passado colonial está por todos os cantos da cidade, porém alguns lugares de destacam pela sua importância histórica.

Casa da Glória

Sempre quando via fotos de Diamantina a Casa da Glória se destacava para mim. O que seria aquela passagem sobre a rua ?

A Casa da Glória já teve diferentes usos, no final do século XIX a mesma era residência oficial do Bispo, anos mais tarde teve a função de orfanato.

Com a compra do edifício do outro lado da rua houve a necessidade da construção do famoso Passadiço de Diamantina.

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A Casa Gloria com o famoso Passadiço

Atualmente o peculiar edifício pertence à UFMG e é onde funciona o centro de Geologia Eschwege.

Horário de funcionamento: de segunda a domingo das 09 as 17

Para saber mais consulte o site da UFMG sobre a Casa da Glória.

Casa da Chica da Silva

A célebre Chica da Silva tem uma história repleta de curiosidades e lendas. Quem assistiu a novela exibida pela Manchete em 1996 que apresentou a Taís Araujo como atriz ?

Chica da Silva era escrava, condição que herdou da mãe, pois seu pai era branco português. Ela teria conseguido sua alforria ainda jovem e depois teve um relacionamento com o contratador João Fernandes de Oliveira.

Deste relacionamento ela teve 13 filhos. Todas as curiosidades que giram sobre Chica da Silva se devem, quase que em sua maioria, por ela ser negra e circular pela alta sociedade escravocrata da época.

É bastante interessante a visita à casa que a Chica da Silva morou. Quando fui existia uma exposição (não consegui saber se era temporária ou não) com fatos atribuídos a conhecida moradora de Diamantina. Dizia-se que ela mandava matar jovens escravas por ciúmes do marido.

Lendas ou não, as histórias sobre Chica da Silva são muitas, vale a pena conferir.

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Diamantina vista das janelas de Chica da Silva

Horário de funcionamento: de terça à sábado das 12h às 17h30 e domingo das 9h às 12h

Casa de Juscelino Kubitschek

O famoso presidente do Brasil, que construiu Brasília, nasceu em Diamantina em 1902. De família simples, conseguiu estudar medicina.

Antes de ser presidente do Brasil foi deputado, prefeito de Belo Horizonte e governador de Minas Gerais.

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Nas mesmas janelas onde Jucelino deve ter olhado para fora sem nunca imaginar que seria um dia Presidente do Brasil

O espaço é formado por dois prédios separados por um pátio, além de diversos documentos históricos sobre a história de Juscelino, pode-se ver seu quarto e até uma jabuticabeira, onde o pequeno Nonô (apelido) brincava.

Horário de funcionamento:  de 3ª a sábado, de 8h às 17h. Domingos e feriado, de 8h às 13h.

Mercado Municipal

Também conhecido como Mercado Velho, foi restaurado em 1997, e nos finais de semana produtores se reúnem para vender ali seus produtos.

Observe à frente do Mercado vendedores de coloridos arranjos feitos de sempre-vivas que dão um colorido especial às ruas.

Sempre-viva é um tipo de planta que mesmo depois de colhida e seca mantém suas cores por algum tempo

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As coloridas sempre-vivas

Igreja Nossa Senhora do Carmo

A bonita igreja teve sua construção iniciada em 1760, quando o contratador João Fernandes de Oliveira (aquele mesmo que vivia com Chica da Silva) assumira a obra.

Curiosamente a torre não fica na frente da igreja e sim nos fundos. Tanto é que no século XIX chegaram a derrubar a torre e reconstruí-la na frente. Somente nos anos 40 colocaram a mesma no lugar original, ou seja, nos fundos.

Estranho né ? Falam que Chica da Silva tem a ver com isso.

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A controversa torre da Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Igreja de São Francisco de Assis

Com sua construção iniciado em 1766 e finalizada somente em 1830 a mesma se destaca por estar num plano mais elevado, com acesso por uma bela escadaria.

Consegue-se boas fotos aí. Repare nos trabalhos em madeira, e nos detalhes em vermelho da igreja.

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A torre da Igreja de São Francisco

Dentro desta igreja Chica da Silva foi sepultada.

Horário de funcionamento
terça a sábado de 9h às 12h / 14h às 18h
domingos e feriados de 9h às 12

Igreja de Nossa Senhora do Amparo

Uma das coisas que mais gosto em cidades históricas é ver composições de construções, este é o caso desta pequena igreja de torre única, meio que espremida entre outras casas.

Observe como a mesma compõe um belo cenário com os outros casarões, ainda mais por estar decorada em azul. Tanto esta igreja como as outras mostram como o barroco e rococó eram diferentes em determinadas regiões.

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A pequena igreja azul entre os casarões históricos de Diamantina – MG

Igreja Nosso Senhor do Bonfim

Outro exemplo de harmonia é esta igreja de 1771 ao lado de outros casarões. Bem pequena, a mesma teria sido construída pelos militares e também foi conhecida como Capela do Senhor do Bonfim dos Miliares.

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Caminhar e descobrir o passado histórico de Diamantina – MG é uma delícia

Igreja Nossa Senhora do Rosário

É uma das mais antigas de Diamantina, construída em 1731, porém 40 anos depois a mesma foi totalmente modificada porque precisava seguir algumas regras de construções feitas pela Irmandade.

Ao passear pelas cidades históricas mineiras ouvimos muito a palavra “irmandade”. Estas organizações eram formadas por leigos e tinha uma distinção étnica, tanto é que tinha a Irmandade dos Homens Pretos e pardos.

Tais organizações arrecadavam dinheiro por meio de inscrições, taxas anuais e esmolas. Além do que as mesmas tinham um rico patrimônio imobiliário como igrejas, terrenos e hospitais.

As Irmandades tinham um poder econômico e várias disputas entre as mesmas deixaram marcos na arquitetura das cidades. Basta ver as Igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, em Mariana, onde as mesmas estão dispostas uma frente a outra, mostrando a rivalidade entre a Ordem Franciscana e a Terceira Ordem do Carmo.

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Caminhar por Diamantina e descobrir cada canto é uma delícia

Museu do Diamante

Este é um museu diverso com vários objetos sacros, moedas antigas, mineralogia e objetos usados na extração na extração do ouro e diamante.

Consulte o site oficial do Museu do Diamante para mais informações.

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Museu do Diamante

Parque Estadual do Biribiri

A pouco mais de 15 Km de Diamantina, este parque é um paraíso para quem quer curtir rios e cachoeiras.

Além disso, a Vila de Biribiri conta um pouco sobre a história da indústria, já que a mesma surgiu no final do século XIX por conta de uma fábrica de tecidos na região.

O lugar é bucólico e pequeno, com apenas 30 casas, restaurantes e uma igreja.

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Depois de tanta história é hora de relaxar em uma cachoeira

Rua da Quitanda

A Rua da Quitanda é um bonito trecho da cidade com diversos casarões e que fica lotada de mesas de diversos bares da cidade.

Aí o momento é para relaxar depois de conhecer um pouco a história da cidade. Basta escolher um bar e ver a vida passar.

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A animação na Rua da Quitanda

Neste mesmo lugar que ocorrem as Vesperatas.

Continue lendo para saber mais sobre como a música tem a ver com Diamantina

Vesperata

A Vesperata é um evento super famoso em Diamantina, quando músicos se posicionam nas janelas dos casarões coloniais e fazem lindas noites de música.

A história da música em Diamantina é bem interessante. No século XIX , os militares que tomavam conta da cidade, tinham o costume de tocar uma antiga música italiana chamada Mezza Notte em um coreto, com o passar do tempo e crescimento da região o evento foi transferido para a sacada das casas.

Porém em 1950 a tradição foi esquecida e somente voltou a ocorrer em 1997. Hoje em dias os músicos tocam MPB, choro e samba numa programação mais eclética.

O evento acontece geralmente entre abril e outubro.

Confira o calendário de Vesperatas em 2019:

Abril – 06 e 27

Maio – 04 e 18

Junho – 01, 22 e 29

Julho – 13 e 20

Agosto – 03, 17 e 31

Setembro – 14 e 28

Outubro – 05 e 19

site Minha Gerais explica como funciona a reserva de mesas e demais informações sobre o evento.

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A tradicional Vesperata, vai perder ?

E não é só, a cidade fica com a programação cultural intensa nos finais de semana que ocorrem as vesperatas.

Gosta de música ? Veja este meu artigo onde conto sobre as Serestas de Conservatória no Rio de Janeiro.

Dicas do Viajante Curioso

Como falei uma viagem à Diamantina não combina muito com as outras cidades históricas perto de Ouro Preto, já que estão em direções opostas.

Acredito que o ideal é apostar em pelo menos 3 dias na cidade, para assim poder curtir Biribiri também.

Procure conhecer Diamantina na época das Vesperatas, o que tornará sua experiência incrível.

Cobra-se uma pequena taxa para visitar as igrejas e às vezes é meio confuso saber o horário de funcionamento das mesmas. A dica é caminhar despretensiosamente e procurar se informar por lá, já que a parte histórica é relativamente pequena.

Eu fiquei hospedado na Pousada Caminho dos Escravos: quartos confortáveis e atendimento excelente. Gostei muito porque a reserva e confirmação foi feita por Whatsapp.

Pássaro Verde faz a linha Belo Horizonte – Diamantina.

Dá uma olhada nas minhas andanças por Minas, veja o Roteiro completo para a Serra do Cipó.

Vocês gostam deste tipo de turismo ? Qual cidade histórica você indicaria para conhecer ?

** Este artigo não recebeu nenhuma espécie de patrocínio e reflete as opiniões pessoais do autor.

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2 comments Add yours
  1. Diamantina tem um cenário muito bonito, mas infelizmente é uma cidade que só ‘funciona’ para o turista nas datas de Vesperatas. Em dias de semana ou fins de semana sem o evento, museus e igrejas ficam fechados, e há pouca informação na secretaria de turismo. Foi essa minha experiência quanto estivemos por lá em 2014 (ou 2015). As cachoeiras e o bom papo na vendinha de Biribiri são imperdíveis mesmo, vale a pena.
    Estando em Diamantina, acredito que para o turismo histórico, o fim de semana seja suficiente, 1 dia para a cidade e 1 dia para Biribiri (vai de manhã e retorna depois do almoço). Dá pra ampliar a estadia, tirando um dia para conhecer o Serro e emendar alguma das cachoeiras em Milho Verde, considerando a locomoção por carro.
    Há ainda na região, o parque estadual do rio preto (que ainda não conheço) e a rota turística da Maria Fumaça, que engloba cidades como Conselheiro Mata (que tem cachoeiras belas em volta) e a vila de Santa Bárbara (“parente” de Biribiri), onda há inclusive águas termais em um resort.

    1. Olá Vinícius,

      Muito obrigado pela dica e concordo com você, achei que a cidade carece de mais informações turísticas. O patrimônio histórico já existe e é bonito, bastava a cidade investir em tour guiados ou disponibilizar mais informações sobre as igrejas por exemplo.
      Quero voltar para conhecer mais da região e estes lugares que você citou.
      Abraço

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